Hoff NDS: a especificação do design system neurodivergente da Hoff Research
Por Brenner Cruvinel • 17 minutos de leitura
Trabalho em andamento (WIP): esta especificação ainda está mudando.
Este é o Hoff NDS, o design system que eu uso nos produtos da Hoff Research e aplico, às vezes em silêncio, em todo projeto novo. A evidência por trás de cada regra está no post sobre design system para pessoas neurodivergentes. Aqui fica só a norma.
Propósito e escopo
O sistema existe pra reduzir carga cognitiva, ansiedade e erro em interface digital, priorizando pessoas neurodivergentes e beneficiando todo mundo. Cobre três tipos de limitação:
- Permanente, como baixa visão, dislexia e autismo
- Temporária, como lesão, fadiga e efeito de medicação
- Situacional, como ambiente barulhento, conexão ruim e estresse
A premissa: o aprendizado e a decisão acontecem no cérebro, não na tela. Cada esforço gasto pra decifrar a interface é esforço tirado da tarefa real. O papel do design é baixar o custo de ler, navegar e decidir.
Não é um tema visual. É um conjunto de regras com justificativa. Cada seção declara a regra, o motivo, os neurotipos que atende e os princípios de UX que a sustentam. Quando a regra tem número, o número é normativo.
Fundamentos
Carga cognitiva. Pessoas com TDAH têm desempenho menor e mais variabilidade de tempo de reação sob carga alta. Por isso só fica visível o que serve ao objetivo da tela. Se um elemento não informa a tarefa, ele distrai dela.
Estresse bom e estresse ruim. Existe um nível de tensão que ajuda o foco e um nível que paralisa. A interface absorve o estresse de operar, de procurar e de errar, pra que a tensão da pessoa vá pro conteúdo.
Previsibilidade. Mudança inesperada de layout, posição ou nome quebra o modelo mental e derruba o foco, com custo maior pra pessoas autistas e com TDAH. Posição importante é estável entre telas, o nome de uma ação persiste do início ao fim do fluxo, e nada se move sem ação da pessoa.
Personalização como requisito. Preferência sensorial varia entre neurotipos e dentro deles. O sistema exige no mínimo três temas de cor (escuro, claro e alto contraste), três tamanhos de texto e um controle que desliga animação. Esses controles ficam à vista, não enterrados em configurações.
Conservação de complexidade. Há uma complexidade mínima que não dá pra remover sem destruir a função. Simplificar além disso deixa tudo mais confuso. A meta é tirar o excesso e preservar a função.
Designer tem que entender de cor, sim
O contraste guia a escolha de cor, não a estética. Texto corrido busca 7:1 ou mais (nível AAA). O mínimo absoluto pra qualquer texto informativo é 4,5:1 (nível AA).
Regra. A paleta inteira tem baixa saturação: sem neon, sem cor vibrante, sem brilho extremo. Cor nunca é o único portador de informação. Todo estado comunicado por cor vem com texto, ícone ou forma.
Motivo. Cor vibrante e contraste cromático forte causam desconforto e sobrecarga sensorial em pessoas autistas, com TDAH e com estresse visual. Em TDAH há evidência de discriminação de cor reduzida, principalmente no eixo azul-amarelo, e o daltonismo vermelho-verde é a forma mais comum na população. Os dois reforçam a proibição de cor como sinal único. O tema escuro é o padrão porque boa parte do uso é à noite, quando menos luz na tela incomoda menos.
Paleta de referência:
| Papel | Tema escuro (padrão) | Tema claro |
|---|---|---|
| Fundo | #0C0C0E (quase preto, quente) | #F3F1EC (off-white quente) |
| Superfície | #141419 | n/d |
| Superfície elevada | #1B1B21 | n/d |
| Texto principal | #ECEAE6 (off-white quente) | #1D1D22 |
| Texto secundário | #9A9AA4 | n/d |
| Texto esmaecido, só decorativo | #62626C | n/d |
| Acento, lavanda dessaturado | #A8A3D8 | #5650A2 |
| Positivo, verde-sálvia | #86A99A | #3C7A65 |
| Atenção, terracota dessaturado | #C98B86 | #A6504A |
Tema de alto contraste: fundo preto, texto branco, acentos clareados e bordas reforçadas. A razão de contraste de cada par é verificada por ferramenta a cada mudança de token. Texto esmaecido nunca carrega informação, só hierarquia.
Estado do sistema tem semântica fixa: positivo pra sucesso, atenção pra erro e alerta, acento pra ação e seleção. A mesma cor nunca significa coisa diferente em outra tela.
Neurotipos: baixa visão, daltonismo, síndrome de Irlen e estresse visual, autismo, TDAH. Princípios: conectividade uniforme e efeito estética-usabilidade, com a ressalva de que beleza não pode esconder problema.
Tipografia, antes de passar um dia inteiro procurando fonte
Regra. Fonte sem serifa, humanista, com letras bem distintas. Corpo de 1rem a 1,25rem sobre base de 16px, ou seja, 16 a 20px. Entrelinha de 150% a 170%. Espaçamento entre letras levemente aumentado: 0,005em a 0,02em no corpo e cerca de 0,03em em texto pequeno, como rótulo e legenda. Título pelo menos 20% maior que o corpo, diferenciado por peso, nunca por troca de família. Linha de no máximo 66 caracteres.
Motivo. Fonte humanista tem aberturas maiores e formas de letra mais distintas, o que sustenta a leitura em tela comum e em tamanhos variados. Espaçamento maior reduz o crowding, que atrapalha muito quem tem dislexia, e é a mudança tipográfica com mais evidência a favor. Fonte vendida como "para dislexia" não mostrou benefício em estudo controlado.
Caracteres sem sósia. A fonte distingue sem ambiguidade o I maiúsculo, o l minúsculo e o 1; as letras espelhadas b, d, p e q; o zero e o O. Sequência alfanumérica, como senha, código e identificador, aparece numa fonte que garante essas distinções, com espaço extra.
Serifa fica restrita a contexto editorial opcional, nunca em texto funcional, porque parte das pessoas usa tela de baixa densidade, onde a serifa degrada.
Neurotipos: dislexia, discalculia, baixa visão, função executiva, síndrome de Irlen. Princípio: pregnância.
Números são universais
Regra. Sequência numérica longa é segmentada como no mundo real: telefone em blocos, documento em blocos, cartão em grupos de quatro. Campo numérico corrige erro previsível na hora, como a letra o no lugar do zero. Toda quantidade ou tempo em dígitos vem com apoio visual: barra de progresso com a porcentagem escrita, contador de etapas com a atual destacada, ou uma representação gráfica da proporção.
Motivo. Discalculia é uma dificuldade persistente com números, que independe de idade e escolaridade. Tempo restante dito só como número não significa nada pra alguns perfis. Uma barra pela metade com o texto "50%, 3 de 6" passa o mesmo dado por três canais. Mas há limite: trocar o número inteiro por animação abstrata passa do ponto e confunde. O número fica, o visual acompanha.
Neurotipos: discalculia, dislexia, função executiva, baixa visão. Princípios: pregnância, lei de Tesler, navalha de Occam.
Espaçamento, respiro (por favor) e layout
Regra. Escala de espaçamento em ritmo de 4: 4, 8, 12, 16, 24, 32, 48, 64 e 96 pixels. Espaço em branco generoso entre grupos. O que é relacionado fica perto, o que não é fica visivelmente separado. Uma coluna principal de leitura; conteúdo nunca disputa colunas paralelas de mesma hierarquia. Navegação, conteúdo e ação ficam na mesma região em toda tela e em todo tamanho de viewport.
Motivo. Espaço em branco é informação: comunica agrupamento e hierarquia antes da leitura. Layout denso aumenta o custo de varredura, com penalidade maior pra TDAH. A escala fixa elimina decisão arbitrária e mantém o ritmo previsível.
Neurotipos: TDAH, dislexia, autismo, função executiva. Princípios: pregnância, conectividade uniforme, lei de Jakob.
Alvos de toque e clique
Regra. Alvo mínimo de 48 por 48 pixels em qualquer elemento interativo. Ação primária com 60 por 60. Interface pra criança usa 60 como mínimo e 80 a 100 pixels em ação crítica, principalmente abaixo de 8 anos. Pelo menos 8 pixels entre alvos vizinhos, 16 quando der. A área ativa pode ser maior que o desenho do elemento, tolerando toque um pouco fora.
Motivo. Alvo maior e mais perto reduz tempo de seleção e erro. Pra quem tem dispraxia e pra criança com coordenação fina em desenvolvimento, área grande reduz o esforço físico. Arrastar com precisão é difícil pra criança pequena e sempre tem alternativa por toque.
Neurotipos: dispraxia, TDAH, baixa visão, criança em desenvolvimento motor. Princípio: lei de Fitts.
Movimento
Esta seção é de saúde, não de estética. Nada pisca mais de três vezes por segundo, sem exceção, por risco de convulsão fotossensível.
Regra. Transição de 200 a 500 milissegundos, lenta, previsível e do mesmo tipo no produto inteiro; prefira opacidade e cor, evite deslocamento grande. Animação ocupa menos de um terço da tela. Nenhuma animação roda sozinha em loop. A preferência de movimento reduzido do sistema é sempre respeitada, trocando animação por transição simples de opacidade, e a interface ainda tem um controle próprio pra desligar todo movimento. Proibidos: rotação contínua, paralaxe, carrossel automático, elemento que entra voando, confete e qualquer movimento não pedido.
Motivo. Movimento na tela causa náusea, tontura e desorientação em quem tem desordem vestibular. Animação irrelevante atrapalha mais as pessoas autistas do que a média. Pra TDAH, movimento constante é distração permanente, mesmo na visão periférica, porque o olho vai atrás.
Neurotipos: epilepsia fotossensível, desordem vestibular, autismo, TDAH, pessoa altamente sensível. Princípio: limiar de Doherty.
Botões, links e campos
Regra. O que é clicável parece clicável, visualmente diferente de qualquer elemento decorativo. Todo elemento interativo tem quatro estados visíveis: repouso, hover, foco e ativo. O foco é um anel de 3 pixels com afastamento de 2 a 3 pixels, em cor de alto contraste, visível em qualquer tema, e nunca é removido. Uma única ação primária por tela, com hierarquia clara entre primária, secundária e discreta. Ícone reforça a intenção, mas não substitui texto em ação importante.
Campo de formulário: rótulo sempre visível acima do campo, nunca só placeholder, porque o placeholder some justo quando a memória de trabalho mais precisa dele. Texto de apoio antes do campo quando o formato não é óbvio. Altura mínima igual à do alvo de toque. Validação no momento certo: nem a cada tecla, nem só no envio.
Motivo. Botão e link são os elementos mais críticos da página. Acessibilidade vai além de HTML semântico e rótulo pra leitor de tela: o desenho decide se a pessoa hesita ou age. Hesitação é carga, e ambiguidade é erro adiado.
Neurotipos: dispraxia, dislexia, TDAH, função executiva, quem usa teclado e leitor de tela. Princípios: lei de Fitts, efeito von Restorff, navalha de Occam.
Formulários e prevenção de erro
Regra. Processo pesado, como cadastro, pagamento e configuração inicial, é dividido em passos curtos, um assunto por passo, com a posição clara: etapa atual, total e o que vem depois. O sistema é liberal no que aceita e rigoroso no que devolve: aceita espaço, traço, ponto e maiúscula trocada, e normaliza sozinho. O progresso é salvo, porque interrupção é a regra, não a exceção, pro público prioritário.
Mensagem de erro não pede desculpa, não culpa e não é vaga. Diz o que aconteceu e como resolver, numa frase. Por exemplo: "Faltam dois dígitos. Um celular tem 11 números com o DDD."
Motivo. Diante de um fluxo longo e opaco, quem tem TDAH ou dificuldade de função executiva tende a abandonar ou a pegar o caminho mais barato, mesmo errado. Passo curto com posição visível troca um custo grande por vários pequenos, com sensação de avanço.
Neurotipos: TDAH, função executiva, discalculia, ansiedade. Princípios: lei de Miller, lei de Postel, lei de Parkinson, regra do pico e fim.
Comunicação do sistema
Regra. Aviso, validação, notificação e mensagem seguem um padrão visual único por tipo, no produto inteiro. Sucesso é acolhedor e direto. Erro é educado e orientado à solução. O nome de uma ação persiste no fluxo todo: o botão "publicar" gera a confirmação "publicado", nunca um sinônimo. Notificação existe pra servir a pessoa, não pra trazê-la de volta: nada de re-engajamento, urgência fabricada ou escassez artificial. A pessoa controla o que recebe, e o padrão é o mínimo.
Motivo. Convenção quebrada e estilo inconsistente geram desconfiança e derrubam o foco. Onboarding não substitui clareza: a tela precisa ser compreensível antes da primeira interação. Tutorial é remendo de interface que falhou.
Neurotipos: TDAH, dislexia, função executiva, autismo. Princípios: lei de Jakob, lei de Miller, regra do pico e fim.
Legendas, áudio e mídia
Regra. Toda mídia falada tem legenda sincronizada, em texto claro sobre fundo escuro sólido, em blocos de até duas linhas. Áudio nunca começa sozinho. Todo player tem pausa, voltar e controle de velocidade. Conteúdo essencial nunca existe só em áudio ou só em vídeo: sempre há alternativa em texto.
Motivo. Legenda serve a quem é surdo ou ouve pouco, a quem processa melhor lendo, a quem está num lugar barulhento e a quem precisa de reforço pelos dois canais. Som inesperado é agressão sensorial pra perfil autista e altamente sensível.
Neurotipos: surdez e baixa audição, autismo, TDAH, pessoa altamente sensível, processamento auditivo. Princípios: redundância de canal e pregnância.
Conteúdo e tom de escrita
Regra. Voz ativa, frase curta, uma ideia por frase, um assunto por parágrafo. O nome descreve o que a pessoa controla e reconhece, nunca como o sistema foi construído. Botão diz exatamente o que acontece: "salvar alterações", não "enviar". Linguagem simples sem infantilizar. Jargão só quando é o termo que a pessoa precisa aprender, e aí explicado na primeira vez. Cada palavra na tela tem função; o que não ajuda a entender sai.
Motivo. Pra quem tem dislexia, e pra qualquer pessoa sob carga, o custo de decodificar o texto compete com o conteúdo. Concisão é acessibilidade.
Neurotipos: dislexia, TDAH, função executiva, quem não é falante nativo. Princípios: navalha de Occam, lei de Tesler.
Padrões de interface
Regra. Conteúdo primeiro: cada tela parte do objetivo da pessoa, e o que não serve ao objetivo sai. Navegação consistente, com os mesmos itens nos mesmos lugares. Nada de pop-up interrompendo a tarefa, salvo risco real e imediato. Nada de mudança de layout sem ação da pessoa. Densidade controlada: mostrar mais sob demanda em vez de despejar tudo. Modo de foco disponível nos fluxos longos, escondendo o que não é a tarefa atual.
Motivo. Diante de muitas opções concorrentes, quem tem TDAH tende a travar ou a escolher a tarefa mais barata. Conservar complexidade significa gastá-la onde gera valor: no conteúdo, não na operação.
Neurotipos: TDAH, autismo, função executiva, ansiedade. Princípios: paradoxo da complexidade, lei de Hick, lei de Jakob, efeito estética-usabilidade.
Tokens
| Token | Valor normativo |
|---|---|
| Tipografia | Base 16px; corpo 1rem a 1,25rem; entrelinha 1,5 a 1,7; linha de até 66 caracteres; título pelo menos 20% maior que o corpo, peso 700; tracking de corpo 0,005em, de rótulo 0,03em |
| Espaçamento | Ritmo de 4: 4, 8, 12, 16, 24, 32, 48, 64, 96 pixels |
| Alvos | Mínimo 48px; primário 60px; criança 60 a 100px; 8 a 16px entre alvos |
| Raio de borda | 8px em controle, 12px em cartão e contêiner |
| Movimento | Transição de 200 a 500ms; curva suave de desaceleração; teto de 3 lampejos por segundo; movimento reduzido do sistema respeitado e desligamento local |
| Contraste | Corpo de texto 7:1 ou mais; mínimo informativo 4,5:1; decorativo sem mínimo, desde que não carregue informação |
| Temas | Escuro (padrão), claro e alto contraste, com troca em um toque; texto em três tamanhos: 100%, 112,5% e 128% |
| Cores | As da tabela na seção de cor; qualquer mudança exige nova verificação de contraste par a par |
Neurotipos considerados
TDAH
Variação de atenção, impulsividade e função executiva, com hiperfoco em áreas de interesse. O desempenho cai sob carga alta, e a atenção é capturada sem querer por movimento e estímulo. Pede tela limpa, uma tarefa por vez, passos curtos, pouco estímulo e tolerância a interrupção.
Autismo
Condição do neurodesenvolvimento que afeta o processamento sensorial e social, com manifestação única em cada pessoa. Pede previsibilidade, consistência, nada de mudança brusca e controle sobre som, luz e movimento.
Dislexia
Dificuldade neurobiológica de reconhecer, soletrar e decodificar palavras, com impacto na compreensão e no vocabulário. Pede fonte legível, espaçamento amplo, texto conciso e redundância visual.
Discalculia
Dificuldade específica e persistente com números, independente de idade e escolaridade. Pede número segmentado, apoio visual pra quantidade e tempo, e correção automática de entrada.
Dispraxia
Transtorno de coordenação que afeta movimento, equilíbrio e coordenação fina, incluindo o controle do cursor. Pede alvo grande, tolerância a toque impreciso e alternativa a gesto de precisão.
Função executiva
Processos de planejamento, organização, atenção e memória de trabalho. Varia também em pessoas neurotípicas. Pede passos curtos, posição visível no fluxo, nomes consistentes e progresso salvo.
Baixa visão
Perda de acuidade que lente não corrige. Pede contraste alto, tamanho de texto ajustável e formas distintas.
Daltonismo
Dificuldade de diferenciar cores, mais comum entre vermelho e verde. Pede que cor nunca seja sinal único.
Síndrome de Irlen e estresse visual
Dificuldade de processamento visual, com sensibilidade à luz, fadiga de leitura e dor de cabeça, que lente comum não corrige. Pede tema alternativo, baixa intensidade e contraste configurável.
Pessoa altamente sensível
Traço de sensibilidade de processamento, com reatividade sensorial e emocional elevada. Pede calma, silêncio visual e sonoro, e ritmo previsível.
Desordem vestibular
Comprometimento do sistema de equilíbrio e do movimento dos olhos. Movimento na tela causa tontura, náusea e fadiga. Pede movimento mínimo e desligável.
Epilepsia fotossensível
Risco de convulsão provocada por lampejo. Pede o teto de três lampejos por segundo, sem exceção.
Princípios de UX
Pregnância
O cérebro interpreta o complexo na forma mais simples possível. Entregue já na forma simples.
Lei de Fitts
O tempo pra atingir um alvo depende do tamanho e da distância. Alvo maior e mais perto reduz erro.
Lei de Miller
A memória de trabalho segura por volta de sete itens. Agrupe em blocos.
Lei de Tesler
Existe complexidade que não dá pra remover. Simplificar além dela gera confusão.
Lei de Jakob
As pessoas trazem expectativas de outros produtos. Convenção gera confiança.
Lei de Hick e paradoxo da complexidade
Mais opções aumentam o tempo de decisão e podem paralisar. Menos opções bem escolhidas valem mais.
Efeito von Restorff
O elemento diferente é o lembrado. Reserve o destaque pro que importa.
Regra do pico e fim
A experiência é julgada pelo momento mais intenso e pelo final.
Lei de Postel
Aceite entrada com liberalidade e devolva saída com rigor.
Lei de Parkinson
A tarefa se expande pra ocupar o tempo percebido. Fluxo que parece curto termina mais rápido.
Limiar de Doherty
Resposta em até 400 milissegundos mantém o engajamento. Quando a operação demora, mostre progresso honesto.
Conectividade uniforme
Elementos com a mesma característica visual são lidos como grupo.
Efeito estética-usabilidade
Interface bonita é percebida como mais fácil de usar e ganha mais tolerância a falhas. Por isso exige vigilância: a beleza não pode esconder falha grave.
Checklist de conformidade
Antes de publicar qualquer tela:
- Contraste de todo texto informativo em 4,5:1 no mínimo e 7:1 no corpo
- Fonte sem serifa humanista, com I, l e 1, b, d, p e q, 0 e O distintos
- Entrelinha de 150% ou mais e linha de até 66 caracteres
- Todo alvo interativo com 48 pixels ou mais e 8 pixels de respiro
- Foco visível por teclado em todo elemento interativo
- Nenhum lampejo acima de três por segundo
- Movimento reduzido respeitado e controle local de movimento presente
- Três temas e três tamanhos de texto funcionando
- Rótulo visível em todo campo e erro orientado à solução
- Número longo segmentado e quantidade com apoio visual
- Mídia falada com legenda e sem reprodução automática
- Uma ação primária por tela
- Nome de cada ação igual do início ao fim do fluxo
- Nenhuma mecânica de engajamento compulsivo
Processo
O sistema é um documento vivo. Toda regra nova entra com justificativa e neurotipos atendidos, e toda regra existente pode ser contestada com evidência melhor. Teste com pessoa neurodivergente real faz parte do ciclo de design, com metodologia participativa, e não é etapa final de validação. Quando o teste contradiz a regra, a regra muda, e a mudança é registrada com data e motivo.
Hoff Research. Make it simple, but significant.